Domingo, 23 de Agosto de 2009
A crescente rivalidade entre a China e a India

 

A Índia e a China tem incrementado nos últimos meses a escalada na tensão fronteiriça, demarcada pela Linha de McMahon, nos Himalaias. De tal forma intensa, que na perspectiva Indiana é escandalosa. O agressivo patrulhamento das fronteiras pelas forças chinesas, incluindo incursões em território indiano tem forçado o exército indiano a reforçar a sua presença ao longo da fronteira de 3500 quilómetros, e estão a prejudicar gravemente os laços entre os gigantes asiáticos.

Representantes de ambos os governos estiveram, em Nova Deli na semana passada, numa inconclusiva 13ª ronda de conversações sobre a disputada fronteira. A reunião foi descrita como cordial, mas sem qualquer sinal de progresso.

A soberania Indiana sobre a província/estado de Arunachal Pradesh assenta na linha de demarcação estabelecida na Convenção de Simla -a Linha de McMahon- no tratado celebrado entre o Reino Unido e o Tibete, em 1914.

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A linha, que se estende ao longo dos cumes do Himalaia por 885 km, era a fronteira entre a Índia britânica e o Tibete, mas a China recusou-se a reconhecer e a ratificar todos os pontos do tratado, em especial a validade da fronteira traçada pela linha McMahon, argumentando de que o Tibete não era um Estado soberano na época em que a convenção foi celebrada. A partir de 1910, o governo britânico passou a tratar o Tibete como um estado independente.

Os mapas chineses consideram um território de cerca de 145 039 km² ao sul da linha como chinês, chamando-o de Tibete do Sul, enquanto que a Índia o considera parte de Arunachal Pradesh.

A China nunca deixou de reclamar a retrocessão do território, que já provocou a guerra sino-indiana, em 1962, caracterizada pelos combates a mais de 4.000 m de altitude.

A actual escalada de tensão já levou a India a deslocar duas divisões adicionais, com mais de 60.000 soldados no total, e dois esquadrões de caças SU-30 MK1, num total de 36 aviões.

Entretanto, três dias após a inconclusiva ronda de negociações, a China desencadeou os maiores exercícios tácticos da história do seu Exército Popular, "Stride-2009", embora com um número de soldados envolventes relativamente pequenos(!) -50.000 soldados-. Estes efectivos foram deslocados das suas bases, em comboios de alta-velocidade e em aviões civis, para manobras de dois meses de treino de fogo, no Tibete e em Xinjiang, numa mensagem clara para a India, que já foi surpreendiada, em 1962, pela capacidade de luta em terreno hostil longe das suas bases, do exército chinês.

O jogo do "meu é maior que o teu", está a levar a uma insentatez militar ao longo da fronteira do estado de Arunachal Pradesh, que inclui a porção reclamada pela China, onde se encontra a cidade de Tawang, berço do Dalai Lama. Coincidências!!..

 

Não pode haver dois sóis no céu

 


A Índia, reconhecida como tendo o menor poder dos dois, tenta manter relações cordiais promovendo o principio de que as duas nações asiáticas são irmãs. Os Chineses vêem a sua nação em ascenção e não sentem necessidade de compromisso, optando por jogar um jogo duro.

Em meados da década de 1970, começou a ajudar o Paquistão a construir a sua força nuclear por forma a manter a ameaça Paquistanesa com a arqui-rival Índia. Desde então, os chineses têm apoiado Islamabad da campanha de terror contra o Estado indiano.

No ataque a Mumbai (ex-Bombaim), o equipamento era de fabrico chinês, assim como quase todo os sofisticados equipamentos de comunicação utilizados pelos terroristas na India, especialmente em Caxemira, e é encaminhado através do exército paquistanês. A ISI - Direcção de Inter-Serviços de Inteligência, da China - dá formação pessoal aos terroristas paquistaneses, com o conhecimento de Pequim.

Num artigo publicado no site de estratégia China Internationl Strategy Net, gerido por Kang Lingyi (cyber-pirata que atacou sites do governo americano após o bombardeamento pelos EUA, em 1999, à embaixada chinesa em Belgrado), sob o pseudónimo ZhanLue (estratégia em chinês), é sugerido o apoio de Pequim, e com a ajuda de países amigos como o Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão, a movimentos separaristas de forma a 'promover' o colapso da India, para uma situação de 30 estados soberanos, um pouco semelhante ao velho sistema britânico de Maharajas regionais. A sugestão, que representa o pensamento dos estrategas chineses, conduziria a uma maior prosperidade chinesa na região e tem sido amplamente divulgada na China. O Governo indiano levou o artigo a sério e emitiu uma declaração dizendo que os dois países tinham acordado "para resolver questões pendentes, incluindo a questão da fronteira" num diálogo pacífico e de consultas, com a sensibilidade inerentes às preocupações mútuas.

Não admira que a India esteja a reavaliar as suas relações com Pequim. Qualquer dúvida que existisse na política externa indiana, relativamente à ameaça representada pela China, evaporaram-se recentemente. A India apresentou um número recorde de casos anti-dumping contra a China, na Organização Mundial do Comércio, e a China opôs-se a um programa de empréstimo do Banco Asiático de Desenvolvimento, a uma proposta indiana para um projecto de controlo de inundações, no estado indiano de Arunachal Pradesh, por considerar que abrange territótio chinês sob ocupação indiana.

Embora pouco provável que a previsão de que a China venha a atacar a India até 2012, se venha a concretizar, é esperada pela India duras acções dos chineses nos próximos anos. O reforço pela India da sua fronteira no Tibete demonstra prudência, para com aqueles que já são considerados, internamente, uma maior ameaça que o Paquistão.

A subtil cyber-propaganda chinesa ganhou pontos frente ao pacifismo indiano, quando na altura da ronda de conversações os mapas de satélite da Google, misteriosamente, mostravam os nomes de várias cidades de Arunachal Pradesh em mandarim, e não em Inglês ou Hindu, fazendo com a região parecesse parte integrante da China.

O desvio, pelos indianos, do espírito não-alinhado de Nehru, está a provocar algum nevorsismo nos chineses. A crescente parceria nuclear India-EUA é um enorme revés para os planos chineses de destabilizar Nova Deli. As democracias na Ásia ainda não estarão, formalmente, prontas para criar um 'arco da liberdade' para se defenderem, mas é notória a sua preocupação ante a crescente agressividasde e hostilidade de Pequim, e a India não quer ser um mero peão na contenda com a China.

 

Um fio-de-pérolas no Indico

 

Todos os dias, 40% da produção mundial de petróleo do Golfo Pérsico passa pelo Indico. Os mercados mundiais são abastecidos por mercadorias, das emergentes economias da China e da India, transportadas pelos seus canais de navegação. Esta realidade estratégica vai reformular o equilibrio de poder no Oceano Indico.

A crescente influência geopolitica chinesa, no sul da Ásia, é uma estratégia militar(?) para aumentar o acesso a portos e aeroportos. O fio-de-pérolas. A incerteza ocidental com esta estratégia reside em saber se ela está em conformidade com a declarada política de "desenvolvimentro pacífico" de Pequim, ou se de um plano para a primazia regional.


Uma base naval, um posto de escuta e a integração das Maldivas no seu sistema de guarda costeira, é mais uma tentativa da India em conter a crescente influência chinesa na região.

Embora não expressamente com o objectivo de uma base naval, mas que poderá ser utilizada para esse fim, a India desenvolveu um bom relacionamento com o Irão, e está a contribuir para a expansão do porto iraniano de Chabahar.

Ao abrigo dos acordos de parceria estratégica de segurança, a China adicionou algumas pérolas ao detalhe gráfico do seu "colar", que se estende a partir do seu porto em águas profundas de Hainan Island. Para além de diversas instalações portuárias situadas na costa da Birmânia e do Bangladesh, conta mais recentemente com Hambantota, no Sri Lanka, onde está a desenvolver uma base naval permanente, e com a base naval de Gwadar, localizada na província paquistanesa do Balochistan, para onde vai expandir a sua frota de submarinos nucleares.

A concessão para a base naval de Hambantota, no Sri Lanka é por contrapartida da ajuda militar ao Sri Lanka na sua luta contra os Tigres Tamil. A India era o antigo grande aliado do Sri Lanka, mas devido a pressões internas tinha suspendendido a sua ajuda militar.

O complexo de Gwadar, no Paquistão, foi inaugurado em Dezembro de 2008 e está totalmente operacional. Fornece um porto de mar profundo, armazéns, instalações industriais e terminais petrolíferos. Grande parte da assistência técnica, e 80% por cento dos fundos para a construção do porto, foram assegurados pala China, que de retorno obtém esta importante posição estratégica de acesso ao Golfo Pérsico: o porto, situa-se a apenas 180 milhas náuticas do Estreito de Hormuz, através do qual passa por via marítima o petróleo comercializado pelos países árabes. A ligação terrestre à China é feita pela estrada de Karakorum.

 

O puzzle das Marinhas

 

China e India são superpotências económicas emergentes rivais, e em paralelo com o seu crescimento económico cresce também a sua capacidede de projectar força no Oceano Indico.

A China tem a segunda maior marinha do mundo, mas muito aquém do poder da marinha dos EUA, e espara-se que venha a ser a maior economia nos próximos 20 anos, e nessa altura equivaler-se-á a ¼ da Marinha dos EUA. Mas a India não lhe fica atrás, com a terceira maior marinha, e umas das cinco maiores economias nos próximos 20 anos. Os gigantes asiáticos estão conscientes que o Oceano Indico é a chave para os seus interesses económicos e de estabilidade, e a possibilidade de um confronto naval nos próximos anos, é reduzida.

A super-potência do Indico, EUA, está firmemente aliada à India, mas a trabalhar na integração da China, em encontros multilaterais para a segurança no Oceano Indico. O Secretário da Defesa, Robert Gates, afirmou que, nos próximos anos, vê na India o parceiro e o garante de segurança no Oceano Indico... e além!!..

Gates não descarta nunca a possibilidade de cooperação, sempre que possivel, com a China. Os analistas acham que a segurança da região está dependente do engajamento dos EUA com a China e que os chineses, crentes na sua hegemonia e na sua rápida modernização militar, consideram-se a potência regional e, como tal, serão inflexiveis em matérias de segurança energética e de segurança regional.

Se a falta de entendimento entre os EUA e a China são grandes, entre a India e a China são dez vezes maior!!..


O Indico será um dos grandes desafios do século 21. A maior parte da população mulçumana do mundo, estendem-se ao longo da sua margem. Combina a centralidade do Islão, com a política global da energia e o mal-humorado relacionamento sino-indiano.

Os EUA e a China irão estar sujeitos a atritos na região, venham eles do crescimento da marinha do Japão, da pequena Singapura com quem partilham uma preocupação com a segurança da navegação, ou da cooperação da India com o Japão relativamente ao Estreito de Malaca.

Os dias de hegemonia americana no Indo-Pacífico estão contados. A tarefa da US Navy será, em breve, de cobertura às marinhas aliadas da India, no Indico e do Japão, no Pacífico Ocidental, de forma a definir limites à expansão chinesa. Mas terá que o fazer ao mesmo tempo que aproveita todas as oportunidades de incorporar a Marinha da China em alianças internacionais: o entendimento EUA-China no mar é nuclear para uma estabilização da política mundial no século 21.

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link externo Indian Defense Review  2009.08.04 / Unmasking China
link externo China Stakes  2009.07.17 / Illusion of "China's Attack on India Before 2012"
link externo The New York Times  2009.09.03 / China and India Dispute Enclave on Edge of Tibet

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link externo Revista Militar  2007.09.25 / Uma “Pérola” perto de um Mar de Petróleo: A Importância do Porto de Gwadar para a China



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